"Amar é um dos verbos mais difíceis de se conjugar: o seu passado não é perfeito, seu presente apenas indicativo; e o futuro é sempre condicional." (Jean Cocteu)"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Divagações Facebookianas (status recuperados)


Simplicidade é despir-se da vaidade com a consciência de quem se é.

Perceber que ninguém é melhor que vc da mesma maneira que vc não é melhor que ninguém... (Dú Badaró)



Reconheço que sou um cachorro.

Se tenho uma dona que me trata bem, abano o rabo, viro de barriga pra cima, protejo, dou carinho e lealdade a toda a prova. Agora, se me abandonam, me deixam na rua: sou sim vira lata, não me faço de rogado, ando solto pelas ruas revirando o lixo em busca de algo que me deixe contente.


Antes fosse facil aplicar o que tentam nos convencer: Não dependa de ninguém, seja independente, baste-se. BALELA!

Preciso do dinheiro que os outros me pagam pelo meu trabalho, preciso do carinho de outra pessoa quando estou carente, preciso de um amigo para rachar uma cerva, para rir de uma piada preciso que alguém me conte. Ninguem é alguem sozinho. Ame-se mas não só se ame. Isso é coisa de psicopata!


Tudo muda quando um relacionamento fica "sério": As pessoas se beijam menos, se vêem menos, mentem mais, confiam menos, transam menos, e principalmente procuram outras coisas mais divertidas...

Relacionamentos divertidos também são confiaveis, talvez até mais porque estar com a pessoa amada deixa de ser uma tarefa para se tornar um grande prazer.


Minha fila não anda, Tira Racha!


Todo aquele que é posto em claustro solitário enlouquece e morre. Pois para se amar é preciso ter orgulho de si mesmo e para se orgulhar de si mesmo é preciso ser autruista e ou competente, coisas que dependem de um segundo sujeito.

Ao prender-se no espelho d´água, narciso, sob jugo do amor proprio, morreu porque se colocou em primeiro lugar.


A vida é boa pra caralho!


Podem me amar ou podem me odiar... Só não me deixem passar em branco.


Ando pelos concavos e convexos do mundo evito a todo custo o plano da sociedade.


As pessoas estão mais bem informadas e ao mesmo tempo emburrecendo com a tecnologia. Com a infinidade de palmtops, smartphones,

tablets etc as pessoas vivem cada vez menos o lugar onde elas estão. Cada vez menos suas próprias experiencias. Inteligência é saber usar a informação onde se está. Mas cada vez menos as pessoas sabem sequer onde se encontram


Curti muito a Amy (Winehouse), pela musica dela, pelo resgate da popularidade do R&B.

Nunca prestei atenção nas fofocas, (obviamente sabia dos problemas dela, mas nunca corri atras).

Mas hoje é só disso que se fala. É triste, não confundam o artista com a obra. Amy era sim, um talento genial APESAR de seus problemas.


Um detalhe muito importante é saber que todos os atomos do seu corpo ja foram trocados pelo menos 3 vezes a cada 20 anos, so para entender não há um unico atomo em vc que esteja com vc desde o nascimento. Ou seja:

- Nossa consciência não tem nada a ver com a materia de que somos feitos.


Você não é melhor que ninguem (e ninguem é melhor que vc). Somente as circunstancias que geram o amor proprio.


Você tem que fazer algo para merecer seu próprio amor.Algo que te faça orgulhar de si mesmo e isso só acontece se vc faz algo POR alguém.

Amar-se simplesmente é enganar-se simplesmente. Só os sociopatas conseguem isso


regra numero 1 para se viver bem: Curta viver com muito, mas saiba viver com pouco.


Ninguém quer a dor. Porem não devemos temer a dor em si. E sim aquilo que nos fere, que é a verdadeira causa da dor. Ao mesmo tempo há coisas piores. À essas a dor é preferível.


Por mais indigna que seja nenhuma pessoa merece ser condenada a "não ser amada". Mesmo que opte por isso. Na verdade para quem é egoísta a ponto de não querer o amor, ser amada é o seu castigo.


‎Pior que a pessoa que não se ama é a pessoa que SÓ se ama. A primeira precisa melhorar a auto-estima, a segunda é um psicopata.


Não consigo deixar de achar graça no fato de cientistas falarem de coisas como matéria escura indetectável e dimensões paralelas e serem completamente refratários quando se fala em prana e mundos espirituais...


Acredito piamente que o ciclo que passamos nos últimos anos de falta de criatividade e baixa qualidade musical esta acabando, curtamos esse novo período que esta iniciando antes que ele se vá, tenho a certeza que veremos o nascimento de muitos clássicos nos próximos anos.


As únicas pessoas que merecem ser discriminadas, são justamente aquelas que discriminam.


Estamos cada vez mais proximos do dia em que Deus entrará como constante de uma equação científica.


Desmistificando Preconceitos: Não é porque é loira que é burra, não é porque é japa que é inteligente....


Magoa é energia desperdiçada com quem não merece...


Dú Badaro mudou seu status para relacionamento divertido com a vida!


Certa vez tentaram me fazer acreditar que eu era algo que não sou. Foi o ano e meio mais triste de minha vida. Me tiraram do palco, até me convenceram a prestar concurso. Tudo por vaidade (achei que era ciúme). Atuar é o que me mantém são, minha arte é minha vida!


Nenhum filme é capaz de provocar o "luto" que o ultimo capítulo de um bom livro provoca, aquela vontade de que a trama se estenda mesmo depois de dias a devorar as palavras lá escritas.


Já fiz muita besteira por amor, mas nunca cometi a besteira de não amar.


Já fui criticado por dizer "eu te amo" a todas as pessoas que eu amo. Mas prefiro a critica a deixar essa frase restrita à conveniência.


O verdadeiro amor é sempre romantico. Qualquer outra coisa é conveniência.


Ter bom coração é difícil em um mundo onde as boas pessoas só são pisadas e esculachadas. Por mais que você sempre esteja ao lado da pessoa em todos os momentos, isso nunca parece suficiente, pra falar a verdade nada é suficiente para o mundo de hoje.


BEM silenciosamente aconselha: "AME QUEM ESTA AO SEU LADO". MAL grita "AME A SI MESMO". E muitos estão ouvindo esses gritos.

Sou uma pessoa eternamente apaixonada pela vida! E àqueles que dizem que paixão só atrapalha desafio a tentar tirar o sorriso do meu rosto!


A coisa ta tá tão feia que tem gente dando tiro pra cima pra ver se cai alguma coisa.


A justiça Farda mas não Talha...


Ser feliz é simples... Preste atenção disse simples, não fácil...


Psicopata é aquele que acha que não tem responsabilidade nenhuma por nada que diz respeito ao que o outro sente. é o Anti-Pequeno Principe. É o seguidor de Flávio Gikovate....


Em materia de recordes, nenhum é batido com tanta freqüência quanto o de imbecilidade. Quando acho que nada podia ser pior vem alguém e me surpreende.

(Senhor dai-me paciência, porque se me der força eu mato)


Ser humano seguro... teu nome é hipocrita. (Pois ninguem é. Agumas pessoas estão com a situação)


(Du Badaró - 2011)

sábado, 2 de julho de 2011

As pontes de Mawsynram


Em Mawsynram na India, a cidade mais Úmida do Mundo as enchentes dos rios durante as épocas de monções, a pobresa e a inacessibilidade do lugar inviabilizam a construção de pontes. Lá os habitantes usam as raízes das figueiras entrelaçadas para criar pontes vivas. A simples construção de uma ponte dessas leva quase 100 anos.

Geralmente uma pessoa toma a iniciativa dessa construção ainda criança trançando pacientemente, dia após dia as raízes das magníficas figueiras de bengala criando uma obra arquitetônica viva e que chega a durar mais de 1000 anos.

O irônico é que as pessoas que iniciam essas pontes não irão desfrutar delas, elas fazem para as gerações futuras. Deixam-na como legado.

Hoje não temos, no ocidente, essa mentalidade, ninguém faria algo para o futuro, sem que gerasse algum fruto em vida.

Acho que o que falta no mundo de hoje é algo assim, fazer algo não para nós, mas para os que vem depois. Daí talvez não tivéssemos de nos preocupar tanto com aquecimento global, poluição e tantos outros males que a pressa de nossos antepassados nos deixaram como legado.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A ERA DE NARCISO


Filhos que matam pais, irmão que mata irmão, pessoas que matam justamente aqueles que deveriam proteger ou pessoas que deveriam lhes prover proteção.

Essas histórias têm se tornado cada vez mais comuns, não só no Brasil mas também no mundo. A questão é: porque?

A verdade é que diante da ausência de referência e valores como honra, dignidade, respeito e principalmente gentileza e empatia. As pessoas estão cada vez mais egocêntricas. Somos Narcisos encantados com a própria imagem refletida no lago.

É a institucionalização da sociopatia, a exaltação do individualismo, um humanismo às avessas, em que cada um cuida dos seus problemas. Essa tendência é visível nos discursos de psicólogos midiáticos como Dr. Gikovate que pregam a solução unilateral de problemas, ou seja, pensar em sí antes dos outros em relação a tudo.

Ou seja: “se algo te incomoda: tire do caminho”, “não sinta culpa”, “você não tem nada com o problema do outro” e o mais criminoso dos conselhos “você não é responsável pela vida de ninguém”. Esse é, justamente, o discurso do psicopata.

Não prego altruísmo desmedido nem espero que as pessoas deixem de pensar em si. Mas pior que não se valorizar é só se valorizar. Em termos católicos é o pecado de Lúcifer: a Soberba.

Famílias teriam de ser um núcleo ligado por amor, não por laços afetivos ou responsabilidade civil. O problema é a deturpação co conceito filosófico de “Amar-se” esquecendo-se que ele esta inserido no mais antigo conceito filosófico no qual somos parte de algo maior.

Sempre houve interesse e conveniência nas relações afetivas, mas sempre houve a instauração de um núcleo emocional em torno disso.

O que acontece hoje é que as pessoas entram na adolescência doutrinadas em que é cada um por si.

Entendam em todos os períodos de história da humanidade houveram coisas mais valiosas que a vida. E as pessoas que amamos e coisas que acreditamos sempre estiveram entre essas coisas.

Hoje que a própria vida é o valor maior as pessoas deixam de amar de uma hora para outra. Não se sacrificam, na verdade essas pessoas não têm mais porque viver. Cedo ou tarde se tornam depressivos, adquirem síndrome do pânico... Não há coincidência de que esses disturbios estejam tão "na moda".

E por mais cruel que pareça aos individualistas, essas pessoas que só vivem por si não farão falta ao mundo pois não deixam legado.

Fernando Pessoa define bem essas pessoas nos versos:

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.

És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.

E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?"

O Mais importante deste texto é a palavra MITO, pois o EU não é mais que isso. Pois só somos alguém no mundo quando as palavras “você” e “eu” passam a ter exatamente o mesmo significado se tornando "NÓS".

Boa Tarde!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu era feliz e sabia:


Na minha infância as coisas que me faziam feliz eram:
Hora do recreio, cachorro quente no lanche, sanduíche de bolacha Mabel com requeijão, brincar no jardim Carlos Gomes, subir em árvore, com meus amigos e ficar conversando cada um no seu galho, fazer carrinho de rolemã e descer a toda até capotar, voltar ralado para casa e fugir que nem doido da mãe que tentava passar Merthiolate (que ardia pra dedéu naquela época).

Na TV tinha também o “Mundo Animal” programa que passava na globo as 11h antes do programa de desenhos que começava às 11h30 e se chamava “Globo & Cor” (passavam desenhos como "Zé Colméia", "Leão da Montanha" e "Coelho Ricochete")

Eu era parte de uma turma na rua: O Clube dos Cinco, éramos Eu, os irmãos Julio e Rodolfo, o Nando que era o menorzinho e a irmã mais velha dele e única menina a Daniela. Passávamos as tardes na rua, brincávamos de pega-pega, policia e ladrão, esconde-esconde. Eu sempre fui o "gordinho" da turma sempre e fui bastante "zoado", tanto na escola quanto na turma, mas isso so me fez buscar e me impor por outros atributos, explorei minha curiosidade, li muito e até hoje sempre encontro gente daquela época que me chame chame de "barsa" (referência à enciclopédia).

Tínhamos um clube de correspondência que foi anunciado no jornal infantil “Globinho” apresentado pela Paula Saldanha, (que nada tem a ver com a “TV Globinho” de hoje).  Na terça e na quinta feira as 16h tinha "Batmam", e às segundas "Mulher Maravilha" com a Linda Carter (que foi a minha primeira grande paixão).

Tínhamos nossas bicicletas: todas “envenenadas” pintadas, e invariavelmente raladas como nossos joelhos. Tínhamos “esconderijos” onde escondíamos nossos “tesouros” (geralmente brinquedos, desenhos etc). Chamávamos esses lugares de base (base1, base 2 até 5). Entravamos no mato. Pisávamos em formigueiro e bebíamos agua da torneira das casas.

Uma vez descobrimos um buraco em que havia se formado um lamaçal. Entramos até a cintura e ficamos lá andando na lama por horas... Voltamos cobertos de lama ate o ultimo fio de cabelo para horror de nossas mães.
Tempos depois, na parte de cima da rua, mudaram-se uns meninos mais velhos que logo se tornaram “rivais” pelo domínio da rua. Volta e meia a gente se provocava. O que acabou culminando na “guerra das pedradas” em que o pobre Rodolfo levou a pior e abriu o supercílio.
Depois disso as turmas se juntaram havia os irmãos Daniel e Marco, André, Bilú e o Amaury (que eram mais velhos).

Haviam os bailinhos que aconteciam assim: todo mundo conversava mas nunca se misturavam meninos e meninas.
Quando começava a tocar musica lenta. Era automático: os meninos iam para um lado e meninas pro outro. Os meninos suavam frio, ninguém queria ser o primeiro a pedir para dançar. Quando alguém tomava finalmente coragem já tinha rolado umas duas musicas... Depois do primeiro vc tinha que ser rápido para que ninguem pedisse a menina que vc estava de olho...

Eu pessoalmente gostava das mais altas para tirar uma casquinha com a orelha. Hehehe.
Resumindo uma infância feliz!
(vejam as aberturas do Globo&Cor e do Globinho aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QrykvzjgzxE )
O importante é curtir.

PS: (Hoje Júlio e Rodolfo casaram e fazem carreira em multinacionais, Fernando, trabalha com turismo, Daniela em fisioterapia e casou, Daniel e Marco administram os imóveis da familia, Bilu trabalha com venda de automóveis, e Amaury é um fotografo de sucesso.)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Amar-se


Tenho um conceito de amor que nem sempre as pessoas entendem.


Amo as pessoas que entram na minha vida, sejam elas amigas(os), amantes, namoradas, e me aceitam como sou, da mesma maneira que consigo aceitar.


Qualquer, mesmo pequeno sacrificio que se faça por alguem é um ato de amor.


Amar alguem é coloca-la a frente de seu desconforto, simplesmente pq vc acha que ela merece


Para amar assim precisa-se acima de tudo SE AMAR, para se pôr em segundo lugar.


Amar a si próprio não é se colocar em primeiro lugar (isso é egocentrismo, é o que a criança é, pois somente a ela que o mundo tem de servir). Amar a si proprio é ocupar com maestria seu lugar no mundo, é ter respeito por si proprio por fazer aquilo que acha certo. Amar-se é fazer sacrifícios. Abrir concessões.

Quem deixa de prestar atenção ao próximo, quem magoa sob a desculpa de que SE AMA, é alguém que quer acreditar que isso é verdade, e quer mostrar para os outros que se basta.

Vendem, em troca do centralismo e do disfarce da insegurança a oportunidade de se mostrarem humanos completos. Mas não existem humanos completos. Todo aquele que é posto em claustro solitário enlouquece e morre. Pois para se amar é preciso ter orgulho de si mesmo e para se orgulhar de si mesmo é preciso ser autruista e ou competente, coisas que dependem de um segundo sujeito.

Ao prender-se no espelho d´água, narciso, sob jugo do amor proprio, morreu porque se colocou em primeiro lugar.

Bom dia!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return.


Existe uma ilusão de que amor é algo que se constrói com o tempo.
Não! Amor é a base sobre a qual se constrói qualquer relação.
Existe um preciosismo em cima da palavra amor que acaba deturpando seu próprio significado.
Amar é (ou deveria ser) o primeiro sentimento com o qual travamos contato. O amor de mãe se manifesta no o aconchego do útero. È assim que o amor é: nos remete à segurança e nos deixa auto-confiantes.

O amor tem a temperatura certa. E nos protege dos males, mesmo que tenha que dizer não.
O mais importante: o amor não mente.
Ele diz a verdade, doa o que doer, e verdades inteiras, nada se esconde por pena, o amor não poupa quem ama pois sera perdoado pela pior verdade.Mas nunca SE perdoará por mentir.
O amor é confiança e ainda compreensão, quem não sabe ser amado não sabe amar. Cria um personagem amável esconde os defeitos.
É a pessoa que esconde um sua personalidade, seus vícios e seus defeitos té mesmo de seus pais que são as pessoas que mais deveriam amar.
Essa pessoa não teve amor, ou nunca entendeu o que é amor.

A mágoa do dia que se descobre que se foi enganado por tanto tempo é muito maior. Se faz isso com os próprios pais o que essa pessoa fará com as pesssoas que a amarem durante a vida?
Quem sabe ser amado não tem medo de decepcionar. Pois sabe que será perdoado.
Mas de todos os inimigos do amor orgulho é o pior. Escondido sob um falso “amor próprio” o orgulho só magoa e destrói. Ignorância daquele que confunde orgulho com amar a si mesmo, o orgulhoso quer só que sua verdade e seus interesses prevaleçam.
Não querem que a imagem falsa sobre a qual baseiam suas vidas seja desvendada. Não assumem seus atos por vergonha. Vivem por prosperidade e não por felicidade. São preconceituosos pois somente a si que sentem e se põe acima de qualquer um.
Alguns são tão apegados a esse amor próprio que se negam a ter filhos, pois são incapazes de dividir seu mundo. São estéreis, secos por dentro.
Há também as pessoas que só querem ser amadas, sem amar. Assentam-se num comodismo, pois previne o sofrimento, mas é triste pois a cada vez que se nega o amor por medo de sofrer nega se também o indescritível prazer de amar. Tudo fica rotineiro, "mais ou menos". Mecânico.
Tenho pena dessas pessoas, pois a vida delas é cinza. Pois é a aquarela do amor é o que pinta um sorriso no nosso rosto principalmente de manhã, a hora mais feliz do dia, pois quem é amado acorda do seu sonho para uma realidade ainda melhor.
.

Boa Tarde!

sábado, 4 de setembro de 2010

Sem ti, tudo correrá sem ti....


Acredito sinceramente no fim da humanidade. Não necessariamente em cataclismos, grandes destruições, tragédias apocalípticas e aquecimentos globais.
O fim que eu temo já está em andamento e se refere a destruição da humanidade que cada um tem dentro de sí.

As pessoas não se entendem mais, pensam somente em sí ou num círculo pequeno de pessoas que estão a sua volta e servem aos seus interesses. A "involução" atual nos carrega ao mesmo patamar das cortes francesas onde a frivolidade, falta de caráter e total incapacidade de viver sem os luxos que acabaram por quebrar o estado.
]
Entendam que não falo de política, não são planos sociais, mas o "eumismo" o egocentro localizado no umbigo de cada elemento de uma coisa que a gente nem pode mais chamar de sociedade.

Uma supervalorização da vida que a deixou maior que qualquer valor, e acredite a vida não é o maior valor. Fernando Pessoa (como Alvaro de Campos) sabia muito bem disso quando escreveu:

"Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar..."

Antigamente se morria pelo que se acreditava, hoje vive-se sem acreditar em nada. "Sombras fúteis" sim é isso que somos.

Nos julgamos tão importantes que esquecemos que há pouco sequer existíamos e o mundo passava "muito bem obrigado".

A diferença que podemos fazer está nas marcas que deixamos no mundo, nossa continuidade. Nunca deixaremos uma marca numa repartição publica onde trabalhamos no dia a dia, a marca esta no trabalho realizado e não na pessoa que o realiza. Cabe a nos a vontade de que nosso nome seja lembrado.

A marca esta na sua obra e naquilo que deixar nesse mundo e acredite muitas vezes nem saberão que foi você, quantos sabem o nome de seus bisavós, ou os pais deles? E quantas vezes agradecemos ou simplesmente atribuímos à eles o fato de estarmos vivos? talvez essa seja uma boa hora.

"Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.

E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?"

E são!

Boa Tarde!

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Poesia completa
(Se te queres matar, Fernando Pessoa)

Se te queres matar

Fernando PessoaSe te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo polícromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

Álvaro de Campos


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