"Amar é um dos verbos mais difíceis de se conjugar: o seu passado não é perfeito, seu presente apenas indicativo; e o futuro é sempre condicional." (Jean Cocteu)"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Reverencia ao destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.E com confiança no que diz.Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.Difícil é mentir para o nosso coração.Fácil é ver o que queremos enxergar.Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.Difícil é sentir a energia que é transmitida.Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.Fácil é querer ser amado.Difícil é amar completamente só.Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.Fácil é ouvir a música que toca.Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.Fácil é ditar regras.Difícil é seguí-las.Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.Fácil é perguntar o que deseja saber.Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.Fácil é dar um beijo.Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.Fácil é sonhar todas as noites.Difícil é lutar por um sonho.Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Drummond

domingo, 28 de outubro de 2007

Ser Humano, uma referencia e uma condição, a afetividade é uma condição completamente humana, gostar amar, é o que separa homens de animais...

quinta-feira, 31 de maio de 2007


Conquistar alguem não é uma técnica ou um modo de agir, as vezes você conquista alguem sem saber, sem imaginar. A conquista é um ato inonsciente que a vontade faz dar certo...

pequenas historias, grandes eventos de uma vida..... muita gente acha estranho quando de repente tudo parece estar dando errado em nossa vida. Nossas vontades parecem inatingíveis e as coisas, de repente, começam a funcionar.

Somos vítimas de nossa própria ansiedade e principalmente dos nossos medos. O medo das coisas não darem certo muitas vezes nos faz desistir ou ver um fim trágico antes das coisas acontecerem, felizmente Deus (ou o acaso) é justo o bastante para de vez em quando privar-nos das consequencias de nossa própria covardia.

sábado, 7 de abril de 2007

Se você quer alguem que te agrade o tempo todo, que não discuta, que concorde sempre com o que diz e faz: Você precisa de um inimigo Hipócria e não de um amigo sincero...

Dú Badaró (07/04/2007)

domingo, 11 de março de 2007

Rapidinha

Descobri que minha ex-namorada é republicana... so um republicano prefere a guerra à amizade...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Tênis ou Frescobol.... (Rubem Alves)

Depois de muito meditar sobre o assunto, concluí que os relacionamentos são de dois tipos: há os relacionamentos do tipo tênis e há os relacionamentos do tipo frescobol. Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e sempre terminam mal. Os relacionamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzche com a qual concordo inteiramente. Dizia ele; "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria capaz de conversar com prazer com essa pessoa até sua velhice? Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar."

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte como no filme "O Império dos Sentidos". Por isso, quando o sexo já estava morto na cama e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava suas palavras como se fossem música.

A música dos sons ou da palavra é a sexualidade sob a forma de eternidade; é o amor que ressuscita sempre depois de morrer.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo...", Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, eu te amo não quer dizer mais nada". É na conversa que nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".

O tênis é um jogo feroz, seu objetivo é derrotar o adversário. E sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.
Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do adversário e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado para fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como uma ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir...
E o que errou pede desculpas e o que provocou o erro se sente culpado.
Mas não tem importância: começa-se de novo esse jogo delicioso em que ninguém marca pontos...

A bola: nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras.

Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destrui-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres.

Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem.
E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...
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