sexta-feira, 21 de março de 2014
Pequenina
Pequena menina
que retiraste a máscara de pequena dama
e agora dorme...
Dorme menina
exibe esse teu sorriso
grande, enorme sorriso
Tão Pequenino
Perto da tua alegria
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Divagações Facebookianas II
Boa Tarde!
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Pentelha
Tenho essa menina na minha vida a 16 anos. E amo essa menina há 16 anos. Não é o fato de estar junto ou não fisicamente. É o fato de poder ser o sou, e aceitar alguém da mesma maneira. Nunca tivemos vergonha do que somos um para o outro. Nunca escondemos nada um do outro simplesmente porque não seria possível.
Os mais ocultos segredos a gente lê no olho um do outro. Nem teria como esconder. A gente não precisa falar, só se olhar, no fundo, pra ver o que ninguém mais consegue ver. Essa semana me despeço de novo dela, a terceira vez. Mas não importa se ela esta na Irlanda, em Abu Dhabi ou Dubai.
Nessas horas percebo como tenho sorte. Pois tenho certeza que muito pouca gente em uma vida inteira consegue amar tanto e ser tão amado. Lú, minha pentelha, minha parceira, minha amada.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Miserável
com olhar de pena, acena
à cena do pobre que, nobre,
empena a caixa em que o
topo do corpo encaixa.
À consciência da assistência
lhe nega a fala, mas impala
o peito, pelo mal feito, não por ela
(tão sem jeito), mas pelo fundo que
o mundo tece e enfaixa.
O recesso, do sonho morto,
impresso, no reflexo
do mar roto, segue a rota
do olhar adormecido, enternecido
e finalmente: falecido.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
A Menina (Dú Badaró)

E vejo uma gota refletida
desse tempo que lacrimeja.
Sorrio assustado,
(disfarço encantado)
e convido tua boca que sorri
para dançar.
Essa dança tão própria
da tua idade que eu,
trapalhão, ao tentar,
piso em falso
na madureza disfarçada,
intimidada e vitimada
pela imagem
que me entra n´alma:
Essa menina bela
cujas mãos tão lindas
brancas e pequenas
tenho entre as minhas
nesse momento...
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Paradoxo (para Gí)
Perdoa-menão te perdoar.
Perdoa por não te aceitar.
Aceita minha magoa surda
e indiferente de olhar desviado
mesmo querendo te vigiar.
Perdoa me por te ignorar
com essa arrogância lastimável
travestida de loucura.
De te odiar com todo o amor,
e te amar com todo o fel, toda a bile
que uma alma apaixonada
consegue destilar.
Perdoe-me
te imploro que compreenda
minha falta de compreensão
das minhas limitações.
Entenda o que eu não sou
capaz de entender:
Que só não consigo me perdoar,
por não perdoar você.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Ideologias
Diálogo extraido do filme "As invasões Bárbaras":
- É incrível, fomos de tudo. Separatistas, independentistas, monarquistas, monarquistas-associacionistas.
-Começamos sendo existencialistas.
Tínhamos lido Camus e Sartre.
-Depois lemos Franz Fanon e viramos anticolonialistas.
Depois lemos Marcuse e nos tornamos marxistas.
- Marxistas-leninistas.
- Trotskistas.
- Maoístas.
- Lemos Soljenitsyn e mudamos de idéia. Passamos a estruturalistas.
- Situacionistas.
- Feministas.
- Desconstrucionistas.
- Houve algum ‘ismo' que não adoramos?
- Cretinistas.
(Nota pessoal minha: esse último foi deixado para a geração atual)
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Pois é...
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Divagações Facebookianas (status recuperados)
Simplicidade é despir-se da vaidade com a consciência de quem se é.
Perceber que ninguém é melhor que vc da mesma maneira que vc não é melhor que ninguém... (Dú Badaró)
Reconheço que sou um cachorro.
Se tenho uma dona que me trata bem, abano o rabo, viro de barriga pra cima, protejo, dou carinho e lealdade a toda a prova. Agora, se me abandonam, me deixam na rua: sou sim vira lata, não me faço de rogado, ando solto pelas ruas revirando o lixo em busca de algo que me deixe contente.
Antes fosse facil aplicar o que tentam nos convencer: Não dependa de ninguém, seja independente, baste-se. BALELA!
Preciso do dinheiro que os outros me pagam pelo meu trabalho, preciso do carinho de outra pessoa quando estou carente, preciso de um amigo para rachar uma cerva, para rir de uma piada preciso que alguém me conte. Ninguem é alguem sozinho. Ame-se mas não só se ame. Isso é coisa de psicopata!
Tudo muda quando um relacionamento fica "sério": As pessoas se beijam menos, se vêem menos, mentem mais, confiam menos, transam menos, e principalmente procuram outras coisas mais divertidas...
Relacionamentos divertidos também são confiaveis, talvez até mais porque estar com a pessoa amada deixa de ser uma tarefa para se tornar um grande prazer.
Minha fila não anda, Tira Racha!
Todo aquele que é posto em claustro solitário enlouquece e morre. Pois para se amar é preciso ter orgulho de si mesmo e para se orgulhar de si mesmo é preciso ser autruista e ou competente, coisas que dependem de um segundo sujeito.
Ao prender-se no espelho d´água, narciso, sob jugo do amor proprio, morreu porque se colocou em primeiro lugar.
A vida é boa pra caralho!
Podem me amar ou podem me odiar... Só não me deixem passar em branco.
Ando pelos concavos e convexos do mundo evito a todo custo o plano da sociedade.
As pessoas estão mais bem informadas e ao mesmo tempo emburrecendo com a tecnologia. Com a infinidade de palmtops, smartphones,
tablets etc as pessoas vivem cada vez menos o lugar onde elas estão. Cada vez menos suas próprias experiencias. Inteligência é saber usar a informação onde se está. Mas cada vez menos as pessoas sabem sequer onde se encontram
Curti muito a Amy (Winehouse), pela musica dela, pelo resgate da popularidade do R&B.
Nunca prestei atenção nas fofocas, (obviamente sabia dos problemas dela, mas nunca corri atras).
Mas hoje é só disso que se fala. É triste, não confundam o artista com a obra. Amy era sim, um talento genial APESAR de seus problemas.
Um detalhe muito importante é saber que todos os atomos do seu corpo ja foram trocados pelo menos 3 vezes a cada 20 anos, so para entender não há um unico atomo em vc que esteja com vc desde o nascimento. Ou seja:
- Nossa consciência não tem nada a ver com a materia de que somos feitos.
Você não é melhor que ninguem (e ninguem é melhor que vc). Somente as circunstancias que geram o amor proprio.
Você tem que fazer algo para merecer seu próprio amor.Algo que te faça orgulhar de si mesmo e isso só acontece se vc faz algo POR alguém.
Amar-se simplesmente é enganar-se simplesmente. Só os sociopatas conseguem isso
regra numero 1 para se viver bem: Curta viver com muito, mas saiba viver com pouco.
Ninguém quer a dor. Porem não devemos temer a dor em si. E sim aquilo que nos fere, que é a verdadeira causa da dor. Ao mesmo tempo há coisas piores. À essas a dor é preferível.
Por mais indigna que seja nenhuma pessoa merece ser condenada a "não ser amada". Mesmo que opte por isso. Na verdade para quem é egoísta a ponto de não querer o amor, ser amada é o seu castigo.
Pior que a pessoa que não se ama é a pessoa que SÓ se ama. A primeira precisa melhorar a auto-estima, a segunda é um psicopata.
Não consigo deixar de achar graça no fato de cientistas falarem de coisas como matéria escura indetectável e dimensões paralelas e serem completamente refratários quando se fala em prana e mundos espirituais...
Acredito piamente que o ciclo que passamos nos últimos anos de falta de criatividade e baixa qualidade musical esta acabando, curtamos esse novo período que esta iniciando antes que ele se vá, tenho a certeza que veremos o nascimento de muitos clássicos nos próximos anos.
As únicas pessoas que merecem ser discriminadas, são justamente aquelas que discriminam.
Estamos cada vez mais proximos do dia em que Deus entrará como constante de uma equação científica.
Desmistificando Preconceitos: Não é porque é loira que é burra, não é porque é japa que é inteligente....
Magoa é energia desperdiçada com quem não merece...
Dú Badaro mudou seu status para relacionamento divertido com a vida!
Certa vez tentaram me fazer acreditar que eu era algo que não sou. Foi o ano e meio mais triste de minha vida. Me tiraram do palco, até me convenceram a prestar concurso. Tudo por vaidade (achei que era ciúme). Atuar é o que me mantém são, minha arte é minha vida!
Nenhum filme é capaz de provocar o "luto" que o ultimo capítulo de um bom livro provoca, aquela vontade de que a trama se estenda mesmo depois de dias a devorar as palavras lá escritas.
Já fiz muita besteira por amor, mas nunca cometi a besteira de não amar.
Já fui criticado por dizer "eu te amo" a todas as pessoas que eu amo. Mas prefiro a critica a deixar essa frase restrita à conveniência.
O verdadeiro amor é sempre romantico. Qualquer outra coisa é conveniência.
Ter bom coração é difícil em um mundo onde as boas pessoas só são pisadas e esculachadas. Por mais que você sempre esteja ao lado da pessoa em todos os momentos, isso nunca parece suficiente, pra falar a verdade nada é suficiente para o mundo de hoje.
BEM silenciosamente aconselha: "AME QUEM ESTA AO SEU LADO". MAL grita "AME A SI MESMO". E muitos estão ouvindo esses gritos.
Sou uma pessoa eternamente apaixonada pela vida! E àqueles que dizem que paixão só atrapalha desafio a tentar tirar o sorriso do meu rosto!
A coisa ta tá tão feia que tem gente dando tiro pra cima pra ver se cai alguma coisa.
A justiça Farda mas não Talha...
Ser feliz é simples... Preste atenção disse simples, não fácil...
Psicopata é aquele que acha que não tem responsabilidade nenhuma por nada que diz respeito ao que o outro sente. é o Anti-Pequeno Principe. É o seguidor de Flávio Gikovate....
Em materia de recordes, nenhum é batido com tanta freqüência quanto o de imbecilidade. Quando acho que nada podia ser pior vem alguém e me surpreende.
(Senhor dai-me paciência, porque se me der força eu mato)
Ser humano seguro... teu nome é hipocrita. (Pois ninguem é. Agumas pessoas estão com a situação)
(Du Badaró - 2011)
sábado, 2 de julho de 2011
As pontes de Mawsynram

Em Mawsynram na India, a cidade mais Úmida do Mundo as enchentes dos rios durante as épocas de monções, a pobresa e a inacessibilidade do lugar inviabilizam a construção de pontes. Lá os habitantes usam as raízes das figueiras entrelaçadas para criar pontes vivas. A simples construção de uma ponte dessas leva quase 100 anos.
Geralmente uma pessoa toma a iniciativa dessa construção ainda criança trançando pacientemente, dia após dia as raízes das magníficas figueiras de bengala criando uma obra arquitetônica viva e que chega a durar mais de 1000 anos.
O irônico é que as pessoas que iniciam essas pontes não irão desfrutar delas, elas fazem para as gerações futuras. Deixam-na como legado.
Hoje não temos, no ocidente, essa mentalidade, ninguém faria algo para o futuro, sem que gerasse algum fruto em vida.
Acho que o que falta no mundo de hoje é algo assim, fazer algo não para nós, mas para os que vem depois. Daí talvez não tivéssemos de nos preocupar tanto com aquecimento global, poluição e tantos outros males que a pressa de nossos antepassados nos deixaram como legado.
sexta-feira, 4 de março de 2011
A ERA DE NARCISO

Filhos que matam pais, irmão que mata irmão, pessoas que matam justamente aqueles que deveriam proteger ou pessoas que deveriam lhes prover proteção.
Essas histórias têm se tornado cada vez mais comuns, não só no Brasil mas também no mundo. A questão é: porque?
A verdade é que diante da ausência de referência e valores como honra, dignidade, respeito e principalmente gentileza e empatia. As pessoas estão cada vez mais egocêntricas. Somos Narcisos encantados com a própria imagem refletida no lago.
É a institucionalização da sociopatia, a exaltação do individualismo, um humanismo às avessas, em que cada um cuida dos seus problemas. Essa tendência é visível nos discursos de psicólogos midiáticos como Dr. Gikovate que pregam a solução unilateral de problemas, ou seja, pensar em sí antes dos outros em relação a tudo.
Ou seja: “se algo te incomoda: tire do caminho”, “não sinta culpa”, “você não tem nada com o problema do outro” e o mais criminoso dos conselhos “você não é responsável pela vida de ninguém”. Esse é, justamente, o discurso do psicopata.
Não prego altruísmo desmedido nem espero que as pessoas deixem de pensar em si. Mas pior que não se valorizar é só se valorizar. Em termos católicos é o pecado de Lúcifer: a Soberba.
Famílias teriam de ser um núcleo ligado por amor, não por laços afetivos ou responsabilidade civil. O problema é a deturpação co conceito filosófico de “Amar-se” esquecendo-se que ele esta inserido no mais antigo conceito filosófico no qual somos parte de algo maior.
Sempre houve interesse e conveniência nas relações afetivas, mas sempre houve a instauração de um núcleo emocional em torno disso.
O que acontece hoje é que as pessoas entram na adolescência doutrinadas em que é cada um por si.
Entendam em todos os períodos de história da humanidade houveram coisas mais valiosas que a vida. E as pessoas que amamos e coisas que acreditamos sempre estiveram entre essas coisas.
Hoje que a própria vida é o valor maior as pessoas deixam de amar de uma hora para outra. Não se sacrificam, na verdade essas pessoas não têm mais porque viver. Cedo ou tarde se tornam depressivos, adquirem síndrome do pânico... Não há coincidência de que esses disturbios estejam tão "na moda".
E por mais cruel que pareça aos individualistas, essas pessoas que só vivem por si não farão falta ao mundo pois não deixam legado.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?"
O Mais importante deste texto é a palavra MITO, pois o EU não é mais que isso. Pois só somos alguém no mundo quando as palavras “você” e “eu” passam a ter exatamente o mesmo significado se tornando "NÓS".
Boa Tarde!
quinta-feira, 3 de março de 2011
Eu era feliz e sabia:

quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Amar-se

Tenho um conceito de amor que nem sempre as pessoas entendem.
Amo as pessoas que entram na minha vida, sejam elas amigas(os), amantes, namoradas, e me aceitam como sou, da mesma maneira que consigo aceitar.
Qualquer, mesmo pequeno sacrificio que se faça por alguem é um ato de amor.
Amar alguem é coloca-la a frente de seu desconforto, simplesmente pq vc acha que ela merece
Para amar assim precisa-se acima de tudo SE AMAR, para se pôr em segundo lugar.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return.

O amor tem a temperatura certa. E nos protege dos males, mesmo que tenha que dizer não.
A mágoa do dia que se descobre que se foi enganado por tanto tempo é muito maior. Se faz isso com os próprios pais o que essa pessoa fará com as pesssoas que a amarem durante a vida?
.
sábado, 4 de setembro de 2010
Sem ti, tudo correrá sem ti....

Acredito sinceramente no fim da humanidade. Não necessariamente em cataclismos, grandes destruições, tragédias apocalípticas e aquecimentos globais.
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
"Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
Se te queres matar
Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo polícromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
Álvaro de Campos
terça-feira, 6 de julho de 2010
Minha Fome
Era antes assim:Quando era uma vez amargo tempo
Amargo na boca (oca)
Azia, Vazia...
E o doce:
sempre depois.
-Sobremesa
de um banquete
que nunca foi servido
Quero encher o estômago
Quebrar a etiqueta
esses dias já são salgados
frios e putrefatos, mas nada,
Nada estraga meu apetite.
Minha vontade é devorar!
Rasgar o menu
amargo de saudade.
Fazer dieta só de prato principal
sorver o doce da sua boca
temperado com suor.
E só assim acabar com
essa coisa que me mata
essa fome ingrata
que eu tenho de você.
Princesas

Eu acredito em princesas.
Não que eu seja louco,
apenas acredito em princesas.
Num mundo desordenado,
sei que em algum lugar elas estão
Distantes,delicadas e destemidas.
Insurgindo nas batalhas dos seus corações
contra a tirania dos cavaleiros negros,
Rasgando seus vestidos pelo amor de um plebeu.
Provando a amargura do fel,
matando sua sede com as lágrimas,
vertidas entre os seios,
do fundo do peito...
Princesas lotadas de coragem.
Sonhadoras e presentes,
capazes de empunhar uma espada,
E com suas mãos delicadas
romper os grilhões atados aos seus pés.
Enfrentar dragões...
Talvez eu seja um sonhador
num mundo de encanto,
mas mesmo no mundo real
meu coração pertence a elas.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Ídolo

Estou relendo um livro do Rubem Alves, um livro antigo chamado “Navegando”.
Não é de hoje que gosto muito do Rubem Alves, e o conheço desde a infância por ele ser amigo de minha mãe e freqüentar a minha casa.
Na verdade aquele senhorzinho calvo com uma coroa de cabelos brancos, semblante sereno e um respeitável narigão que freqüenta minha casa é para mim uma pessoa completamente diferente do Rubem Alves que vejo nos livros.
Não que seja pior, obviamente ambos são a mesma pessoa, mas, confesso que as vezes chega a me incomodar a personificação da mágica contida naqueles textos que, me inspiraram e me ensinaram uma forma nova de ver a vida.
Ler os textos do Rubem é uma janela que se abre e ensina como ver a vida de uma forma totalmente diferente, ensina que a vida não é feia, depende muito do lado que se olha.
Isso me faz pensar nessa relação quase conflituosa entre o homem e a sua obra.
É estranho quando a gente conhece a pessoa atrás do ídolo, e descobre que é só uma pessoa.
Muitas pessoas idolatram e amam a pessoa por que misturam a obra com o autor. Acho isso triste, pois muitas vezes o ser humano por trás da obra fica imerso em uma nuvem formada por fragmentos de sua própria obra.
Conheci já algumas pessoas ditas famosas, sou filho de artista, e sempre me envolvi de uma forma ou de outra com o encanto dos filhos das artes.
Uma das coisas que digo é que toda vez que me aproximei de uma maneira ou de outra vi a tal nuvem se dissipar mostrando alguém muitas vezes surpreendente e algumas vezes decepcionante.
Mas a grande verdade é que a obra tem realmente o encanto, como não misturar as letras maravilhosamente hipnóticas de Chico Buarque com aqueles encantadores olhos azuis. Como não misturar a genialidade dos personagens de Fernanda Montenegro, àquela senhorinha delicada.
Mas é preciso lembrar que o humano não é a obra é o ser. E ao contrario do finito da existência do ser, devemos sim admirar a eternidade da obra.
Por isso sei que o Rubem da minha casa tem todos os defeitos e qualidades que qualquer pessoa pode ter. Mas sua obra me toca e tudo que nos toca deve ser lembrado.
Boa Noite
quinta-feira, 8 de abril de 2010
A Bunda da Humanidade

Na conformação humana, de duas almofadinhas gordurosas, nenhum outro animal possui tal estrutura. É exclusiva!
Quantas horas, não devem ter passado os alienígenas a estudar um humano de bruços, observando aquelas estruturas. Hoje acredito que ouviríamos nos laboratórios dos discos-voadores:
Mantida nos porões pervertidos da sexualidade humana, a bunda sempre foi uma marginal.
Muito, mas muito mais que um telencéfalo ou um polegar.
segunda-feira, 29 de março de 2010
A Verdade sobre Aurora

Foram vistos por Haroldo Lobo (que estava em excursão pela África) atravessando o deserto do Saara, sob o sol quente, ambos somente com o rosto queimado (provavelmente pelo habito de não usar protetor solar na cara).
Veja só que bom que era / Ô ô ô ô , Aurora
Um lindo apartamento / Com porteiro e elevador
E ar refrigerado / Para os dias de calor/ Madame
Antes do nome / Você teria agora/ Ôôôô Aurora
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O Sol estava quente, queimou a nossa cara
Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô...
E muitas vezes nós tivemos que rezar
Allah, Allah, Allah, meu bom Allah
Mande água pro iôiô



