"Amar é um dos verbos mais difíceis de se conjugar: o seu passado não é perfeito, seu presente apenas indicativo; e o futuro é sempre condicional." (Jean Cocteu)"

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pequenina

Pequenina
Pequena menina
que retiraste a máscara de pequena dama
e agora dorme...

Dorme menina
exibe esse teu sorriso
grande, enorme sorriso
Tão Pequenino
Perto da tua alegria

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Divagações Facebookianas II

Sou cético quanto as certezas. Mas tenho fé incondicional nas minhas dúvidas. - 

O tipo de pessoa mais infeliz é aquela que não pede desculpas para não ter que perdoar. - 

O ceticismo torna-se ignorancia quando nega a dúvida. - 

Ninguém é alguém sozinho. - 

Tão importante quanto aproveitar, é dar chances. - 

Charme é a unica beleza honesta, porque vem do caráter. Não depende de maquiagem, genética ou forma física. E o melhor: Dura pra sempre - 

"Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido" está na constituição, mas os políticos Brasileiros só se importam com a primeira parte da sentença e só quando aproximam-se eleições - 

Não há maior prova de amor do que a dor de abrir mão de quem se ama por amor.- 

Honra é um valor fundamental, é a porta de entrada da confiança, da autoconfiança e da confiança de outrem. Não me espanta que hoje pessoas confiáveis sejam artigo raríssimo, e pânico e depressão estejam tão na moda. - 

Odeio a palavra "sério" quando se refere a um relacionamento. Quero um relacionamento divertido, não um "sério". Afinal, tem coisa mais gostosa do que rir com quem se ama? - 

Em matéria de recordes, nenhum é batido com tanta freqüência quanto o de imbecilidade.
Quando acho que nada podia ser pior vem alguém e me surpreende.- 

PARADOXO DO EXERCÍCIO
O homem criou veículos, elevadores, para as pessoas andarem menos e subirem menos escada, criou carrinhos de compras para elas carregarem menos peso.
Em seguida o homem inventou esteiras para as pessoas andarem mais sem chegar a lugar nenhum, aulas de step para fingir que sobem escadas e a musculação para levantarem pesos sem ter que carregar nada.

O mundo de hoje parece estar dispensando o lado piegas do ser humano. Um pragmatismo doentio, invoca o animal instintivo, sedento de sexo, dinheiro e posses coroadas com suas criações mecânicas: celulares, carros, computadores misturando sentimentos com equipamentos de silício borracha, petróleo e metal.
- Mas, mais de uma vez, já se comprovou que perto do fim, não há arrependimento maior do que deixar de dizer: eu te amo, à quem realmente importa. - 

A diferença entre o bom e o mau caráter é que o bom caráter erra e se arrepende do seu erro. O mau caráter erra e se arrepende de ter sido pego. (quando o é...) - 

Um show de rock é igualzinho show de Sertanejo Universitário, só que geralmente mais lotado, sempre com musica melhor e gente mais inteligente e bonita. - 

Me perdoem as tantas pessoas que pagam suas mensalidades em dia, mas para mim, atleta de academia é a mesma coisa de criança criada em condomínio. Cresce saudável mas perde a realidade, a aventura e a beleza do mundo e da vida. - 

O que me decepciona no atual estágio da conquista de espaço pelas mulheres, é que grande parte delas está tentando a igualdade naquilo que o homem tem de pior.
E isso também afeta o homem que também perdeu o encanto pelas mulheres e as tratam ainda mais como descartáveis.
A triste conclusão é que eu vejo uma geração solitária e sem valores no futuro próximo. Uma geração perdida. - 

O pior de perder a confiança em alguém não é não confiar mais. É por em dúvida toda a confiança depositada naquela pessoa. - 

Eu nascer na data da queda em Roswell.... Coincidência???? hehehehe...(Ou não?)

O sentimento não tem que ser explicado, nem compreendido pela razão, tem que ser aceito. Só depois de aceito ele podera ser racionalizado. -  

É muito importante enterrar o defunto antes que ele comece a cheirar mal – 

Eu sei que ela é bonita, minha namorada sabe que ela é bonita, e eu olho... rapido... mas ela nota.... e fica quieta...
A noite ela vira: "Você olhou para aquela moça né?"
Eu digo: Olhei; ela era bonita...
Ela faz aquele bico e quase solta um xingo... mas se contém.
Daí eu vejo aquela cara contrariada, aquele bico, leio aquele monte de pensamentos na cabeça dela ... e nem me lembro mais do rosto (bunda, peito....whatever) da moça. Só consigo ver aquele rosto lindo, ao meu lado, contrariado, com o orgulho ferido.

Então, me encho de remorso peço desculpas e digo olhando em seus olhos o quanto a amo! (e é a mais pura verdade!) -  

Boa Tarde!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Pentelha

Chega uma certa hora que fica difícil alguma coisa realmente emocionar. Uma mensagem como essa que recebi hoje não se trata só de uma declaração (quantas vezes não nos declaramos sem ter certeza?). 

Tenho essa menina na minha vida a 16 anos. E amo essa menina há 16 anos. Não é o fato de estar junto ou não fisicamente. É o fato de poder ser o sou, e aceitar alguém da mesma maneira. Nunca tivemos vergonha do que somos um para o outro. Nunca escondemos nada um do outro simplesmente porque não seria possível.

Os mais ocultos segredos a gente lê no olho um do outro. Nem teria como esconder. A gente não precisa falar, só se olhar, no fundo, pra ver o que ninguém mais consegue ver. Essa semana me despeço de novo dela, a terceira vez. Mas não importa se ela esta na Irlanda, em Abu Dhabi ou Dubai.

Nessas horas percebo como tenho sorte. Pois tenho certeza que muito pouca gente em uma vida inteira consegue amar tanto e ser tão amado. Lú, minha pentelha, minha parceira, minha amada.
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"Nao eh soh pq eu te amo da forma mais insuportavel que existe, nem soh porque te conheco ha 16 anos e voce nunca, nunquinha mesmo deixou de me amar um dia que fosse, nem eh soh porque com voce eu posso ser eu do fio de cabelo ao dedinho do pe, do trampulim ao abismo, no que eu tenho de melhor e no pior que alguem pode ser. Tambem nao eh pq vc ja passou 3 horas comigo ao telefone tentando acalmar meu surto causado pelo medo da chuva, nem pq vc segurou minha mao qd eu achei que nao tinha mais jeito, muito menos porque vc ri de mim dentro de super mercados num domingo a tarde. Nao, nao eh por nada disso. O motivo eh voce ser esse cara FODA que faz meus dias mais felizes soh por eu saber que voce existe. O motivo eh saber que daqui ha 30 anos, quando eu pensar em alguem que me ama e me aceita com td oq eu sou e eu precisar de um "eu te amo" ou um "va se fuder", vai ser seu nome que eu vou gritar. Porque voce nao eh soh especial, voce eh mais, voce eh maior, voce eh o amigo de uma vida toda, pra uma vida toda, voce eh pra mim. E o motivo de eu estar escrevendo isso agora eh simples como nossa amizade e o amor que sinto por voce: o motivo eh a gratidao que invade a minha alma quando me dou conta de que Deus me deu um anjo da guarda de carne e osso, pra cuidar de mim aqui ns terra. Porque Ele sabia que vc daria conta, e Ele sabia que eu te amaria e tambem sabia que pessoas como voce sao presentes na vida de qualquer pessoa. Entao o meu motivo eh soh dizer obrigada! Por tudo, por sempre. Por ser quem voce eh e com isso soh me fazer querer estar sempre perto de voce. De voce eu nao enjoo, da minha vida voce nao sai e isso vai ser assim pra sempre. Te amo beeeeeem grandao...meu INSUPORTAVEL favorito."

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Miserável

Em suma: um, acima da sala
com olhar de pena, acena
à cena do pobre que, nobre,
empena a caixa em que o
topo do corpo encaixa.

À consciência da assistência
lhe nega a fala, mas impala
o peito, pelo mal feito, não por ela
(tão sem jeito), mas pelo fundo que
o mundo tece e enfaixa.

O recesso, do sonho morto,
impresso, no reflexo
do mar roto, segue a rota
do olhar adormecido, enternecido
e finalmente: falecido.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Menina (Dú Badaró)



Abro a porta do teu olhar
E vejo uma gota refletida
desse tempo que lacrimeja.
Sorrio assustado,
(disfarço encantado)
e convido tua boca que sorri
para dançar.

Essa dança tão própria
da tua idade que eu,
trapalhão, ao tentar,
piso em falso
na madureza disfarçada,
intimidada e vitimada
pela imagem
que me entra n´alma:

Essa menina bela
cujas mãos tão lindas
brancas e pequenas
tenho entre as minhas
nesse momento...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Paradoxo (para Gí)

Perdoa-me
não te perdoar.
Perdoa por não te aceitar.
Aceita minha magoa surda
e indiferente de olhar desviado
mesmo querendo te vigiar.



Perdoa me por te ignorar
com essa arrogância lastimável
travestida de loucura.
De te odiar com todo o amor,
e te amar com todo o fel, toda a bile
que uma alma apaixonada
consegue destilar.

Perdoe-me
te imploro que compreenda
minha falta de compreensão
das minhas limitações.
Entenda o que eu não sou
capaz de entender:
Que só não consigo me perdoar,
por não perdoar você.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ideologias

Diálogo extraido do filme "As invasões Bárbaras":

- É incrível, fomos de tudo. Separatistas, independentistas, monarquistas, monarquistas-associacionistas.

-Começamos sendo existencialistas.

Tínhamos lido Camus e Sartre.

-Depois lemos Franz Fanon e viramos anticolonialistas.

Depois lemos Marcuse e nos tornamos marxistas.

- Marxistas-leninistas.

- Trotskistas.

- Maoístas.

- Lemos Soljenitsyn e mudamos de idéia. Passamos a estruturalistas.

- Situacionistas.

- Feministas.

- Desconstrucionistas.

- Houve algum ‘ismo' que não adoramos?

- Cretinistas.

(Nota pessoal minha: esse último foi deixado para a geração atual)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pois é...

Ter a consciência de que o que "É" é mera consequência do que "FOI" faz com que a gente entenda pq não adianta dizer que "o que passou passou". Na verdade o doce na boca ou o amargo no estômago dependem dos frutos bons ou maus que plantamos nos corações das pessoas que nos cercam. A justiça se faz. O universo é implacável. (Dú Badaró)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Divagações Facebookianas (status recuperados)


Simplicidade é despir-se da vaidade com a consciência de quem se é.

Perceber que ninguém é melhor que vc da mesma maneira que vc não é melhor que ninguém... (Dú Badaró)



Reconheço que sou um cachorro.

Se tenho uma dona que me trata bem, abano o rabo, viro de barriga pra cima, protejo, dou carinho e lealdade a toda a prova. Agora, se me abandonam, me deixam na rua: sou sim vira lata, não me faço de rogado, ando solto pelas ruas revirando o lixo em busca de algo que me deixe contente.


Antes fosse facil aplicar o que tentam nos convencer: Não dependa de ninguém, seja independente, baste-se. BALELA!

Preciso do dinheiro que os outros me pagam pelo meu trabalho, preciso do carinho de outra pessoa quando estou carente, preciso de um amigo para rachar uma cerva, para rir de uma piada preciso que alguém me conte. Ninguem é alguem sozinho. Ame-se mas não só se ame. Isso é coisa de psicopata!


Tudo muda quando um relacionamento fica "sério": As pessoas se beijam menos, se vêem menos, mentem mais, confiam menos, transam menos, e principalmente procuram outras coisas mais divertidas...

Relacionamentos divertidos também são confiaveis, talvez até mais porque estar com a pessoa amada deixa de ser uma tarefa para se tornar um grande prazer.


Minha fila não anda, Tira Racha!


Todo aquele que é posto em claustro solitário enlouquece e morre. Pois para se amar é preciso ter orgulho de si mesmo e para se orgulhar de si mesmo é preciso ser autruista e ou competente, coisas que dependem de um segundo sujeito.

Ao prender-se no espelho d´água, narciso, sob jugo do amor proprio, morreu porque se colocou em primeiro lugar.


A vida é boa pra caralho!


Podem me amar ou podem me odiar... Só não me deixem passar em branco.


Ando pelos concavos e convexos do mundo evito a todo custo o plano da sociedade.


As pessoas estão mais bem informadas e ao mesmo tempo emburrecendo com a tecnologia. Com a infinidade de palmtops, smartphones,

tablets etc as pessoas vivem cada vez menos o lugar onde elas estão. Cada vez menos suas próprias experiencias. Inteligência é saber usar a informação onde se está. Mas cada vez menos as pessoas sabem sequer onde se encontram


Curti muito a Amy (Winehouse), pela musica dela, pelo resgate da popularidade do R&B.

Nunca prestei atenção nas fofocas, (obviamente sabia dos problemas dela, mas nunca corri atras).

Mas hoje é só disso que se fala. É triste, não confundam o artista com a obra. Amy era sim, um talento genial APESAR de seus problemas.


Um detalhe muito importante é saber que todos os atomos do seu corpo ja foram trocados pelo menos 3 vezes a cada 20 anos, so para entender não há um unico atomo em vc que esteja com vc desde o nascimento. Ou seja:

- Nossa consciência não tem nada a ver com a materia de que somos feitos.


Você não é melhor que ninguem (e ninguem é melhor que vc). Somente as circunstancias que geram o amor proprio.


Você tem que fazer algo para merecer seu próprio amor.Algo que te faça orgulhar de si mesmo e isso só acontece se vc faz algo POR alguém.

Amar-se simplesmente é enganar-se simplesmente. Só os sociopatas conseguem isso


regra numero 1 para se viver bem: Curta viver com muito, mas saiba viver com pouco.


Ninguém quer a dor. Porem não devemos temer a dor em si. E sim aquilo que nos fere, que é a verdadeira causa da dor. Ao mesmo tempo há coisas piores. À essas a dor é preferível.


Por mais indigna que seja nenhuma pessoa merece ser condenada a "não ser amada". Mesmo que opte por isso. Na verdade para quem é egoísta a ponto de não querer o amor, ser amada é o seu castigo.


‎Pior que a pessoa que não se ama é a pessoa que SÓ se ama. A primeira precisa melhorar a auto-estima, a segunda é um psicopata.


Não consigo deixar de achar graça no fato de cientistas falarem de coisas como matéria escura indetectável e dimensões paralelas e serem completamente refratários quando se fala em prana e mundos espirituais...


Acredito piamente que o ciclo que passamos nos últimos anos de falta de criatividade e baixa qualidade musical esta acabando, curtamos esse novo período que esta iniciando antes que ele se vá, tenho a certeza que veremos o nascimento de muitos clássicos nos próximos anos.


As únicas pessoas que merecem ser discriminadas, são justamente aquelas que discriminam.


Estamos cada vez mais proximos do dia em que Deus entrará como constante de uma equação científica.


Desmistificando Preconceitos: Não é porque é loira que é burra, não é porque é japa que é inteligente....


Magoa é energia desperdiçada com quem não merece...


Dú Badaro mudou seu status para relacionamento divertido com a vida!


Certa vez tentaram me fazer acreditar que eu era algo que não sou. Foi o ano e meio mais triste de minha vida. Me tiraram do palco, até me convenceram a prestar concurso. Tudo por vaidade (achei que era ciúme). Atuar é o que me mantém são, minha arte é minha vida!


Nenhum filme é capaz de provocar o "luto" que o ultimo capítulo de um bom livro provoca, aquela vontade de que a trama se estenda mesmo depois de dias a devorar as palavras lá escritas.


Já fiz muita besteira por amor, mas nunca cometi a besteira de não amar.


Já fui criticado por dizer "eu te amo" a todas as pessoas que eu amo. Mas prefiro a critica a deixar essa frase restrita à conveniência.


O verdadeiro amor é sempre romantico. Qualquer outra coisa é conveniência.


Ter bom coração é difícil em um mundo onde as boas pessoas só são pisadas e esculachadas. Por mais que você sempre esteja ao lado da pessoa em todos os momentos, isso nunca parece suficiente, pra falar a verdade nada é suficiente para o mundo de hoje.


BEM silenciosamente aconselha: "AME QUEM ESTA AO SEU LADO". MAL grita "AME A SI MESMO". E muitos estão ouvindo esses gritos.

Sou uma pessoa eternamente apaixonada pela vida! E àqueles que dizem que paixão só atrapalha desafio a tentar tirar o sorriso do meu rosto!


A coisa ta tá tão feia que tem gente dando tiro pra cima pra ver se cai alguma coisa.


A justiça Farda mas não Talha...


Ser feliz é simples... Preste atenção disse simples, não fácil...


Psicopata é aquele que acha que não tem responsabilidade nenhuma por nada que diz respeito ao que o outro sente. é o Anti-Pequeno Principe. É o seguidor de Flávio Gikovate....


Em materia de recordes, nenhum é batido com tanta freqüência quanto o de imbecilidade. Quando acho que nada podia ser pior vem alguém e me surpreende.

(Senhor dai-me paciência, porque se me der força eu mato)


Ser humano seguro... teu nome é hipocrita. (Pois ninguem é. Agumas pessoas estão com a situação)


(Du Badaró - 2011)

sábado, 2 de julho de 2011

As pontes de Mawsynram


Em Mawsynram na India, a cidade mais Úmida do Mundo as enchentes dos rios durante as épocas de monções, a pobresa e a inacessibilidade do lugar inviabilizam a construção de pontes. Lá os habitantes usam as raízes das figueiras entrelaçadas para criar pontes vivas. A simples construção de uma ponte dessas leva quase 100 anos.

Geralmente uma pessoa toma a iniciativa dessa construção ainda criança trançando pacientemente, dia após dia as raízes das magníficas figueiras de bengala criando uma obra arquitetônica viva e que chega a durar mais de 1000 anos.

O irônico é que as pessoas que iniciam essas pontes não irão desfrutar delas, elas fazem para as gerações futuras. Deixam-na como legado.

Hoje não temos, no ocidente, essa mentalidade, ninguém faria algo para o futuro, sem que gerasse algum fruto em vida.

Acho que o que falta no mundo de hoje é algo assim, fazer algo não para nós, mas para os que vem depois. Daí talvez não tivéssemos de nos preocupar tanto com aquecimento global, poluição e tantos outros males que a pressa de nossos antepassados nos deixaram como legado.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A ERA DE NARCISO


Filhos que matam pais, irmão que mata irmão, pessoas que matam justamente aqueles que deveriam proteger ou pessoas que deveriam lhes prover proteção.

Essas histórias têm se tornado cada vez mais comuns, não só no Brasil mas também no mundo. A questão é: porque?

A verdade é que diante da ausência de referência e valores como honra, dignidade, respeito e principalmente gentileza e empatia. As pessoas estão cada vez mais egocêntricas. Somos Narcisos encantados com a própria imagem refletida no lago.

É a institucionalização da sociopatia, a exaltação do individualismo, um humanismo às avessas, em que cada um cuida dos seus problemas. Essa tendência é visível nos discursos de psicólogos midiáticos como Dr. Gikovate que pregam a solução unilateral de problemas, ou seja, pensar em sí antes dos outros em relação a tudo.

Ou seja: “se algo te incomoda: tire do caminho”, “não sinta culpa”, “você não tem nada com o problema do outro” e o mais criminoso dos conselhos “você não é responsável pela vida de ninguém”. Esse é, justamente, o discurso do psicopata.

Não prego altruísmo desmedido nem espero que as pessoas deixem de pensar em si. Mas pior que não se valorizar é só se valorizar. Em termos católicos é o pecado de Lúcifer: a Soberba.

Famílias teriam de ser um núcleo ligado por amor, não por laços afetivos ou responsabilidade civil. O problema é a deturpação co conceito filosófico de “Amar-se” esquecendo-se que ele esta inserido no mais antigo conceito filosófico no qual somos parte de algo maior.

Sempre houve interesse e conveniência nas relações afetivas, mas sempre houve a instauração de um núcleo emocional em torno disso.

O que acontece hoje é que as pessoas entram na adolescência doutrinadas em que é cada um por si.

Entendam em todos os períodos de história da humanidade houveram coisas mais valiosas que a vida. E as pessoas que amamos e coisas que acreditamos sempre estiveram entre essas coisas.

Hoje que a própria vida é o valor maior as pessoas deixam de amar de uma hora para outra. Não se sacrificam, na verdade essas pessoas não têm mais porque viver. Cedo ou tarde se tornam depressivos, adquirem síndrome do pânico... Não há coincidência de que esses disturbios estejam tão "na moda".

E por mais cruel que pareça aos individualistas, essas pessoas que só vivem por si não farão falta ao mundo pois não deixam legado.

Fernando Pessoa define bem essas pessoas nos versos:

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.

És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.

E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?"

O Mais importante deste texto é a palavra MITO, pois o EU não é mais que isso. Pois só somos alguém no mundo quando as palavras “você” e “eu” passam a ter exatamente o mesmo significado se tornando "NÓS".

Boa Tarde!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu era feliz e sabia:


Na minha infância as coisas que me faziam feliz eram:
Hora do recreio, cachorro quente no lanche, sanduíche de bolacha Mabel com requeijão, brincar no jardim Carlos Gomes, subir em árvore, com meus amigos e ficar conversando cada um no seu galho, fazer carrinho de rolemã e descer a toda até capotar, voltar ralado para casa e fugir que nem doido da mãe que tentava passar Merthiolate (que ardia pra dedéu naquela época).

Na TV tinha também o “Mundo Animal” programa que passava na globo as 11h antes do programa de desenhos que começava às 11h30 e se chamava “Globo & Cor” (passavam desenhos como "Zé Colméia", "Leão da Montanha" e "Coelho Ricochete")

Eu era parte de uma turma na rua: O Clube dos Cinco, éramos Eu, os irmãos Julio e Rodolfo, o Nando que era o menorzinho e a irmã mais velha dele e única menina a Daniela. Passávamos as tardes na rua, brincávamos de pega-pega, policia e ladrão, esconde-esconde. Eu sempre fui o "gordinho" da turma sempre e fui bastante "zoado", tanto na escola quanto na turma, mas isso so me fez buscar e me impor por outros atributos, explorei minha curiosidade, li muito e até hoje sempre encontro gente daquela época que me chame chame de "barsa" (referência à enciclopédia).

Tínhamos um clube de correspondência que foi anunciado no jornal infantil “Globinho” apresentado pela Paula Saldanha, (que nada tem a ver com a “TV Globinho” de hoje).  Na terça e na quinta feira as 16h tinha "Batmam", e às segundas "Mulher Maravilha" com a Linda Carter (que foi a minha primeira grande paixão).

Tínhamos nossas bicicletas: todas “envenenadas” pintadas, e invariavelmente raladas como nossos joelhos. Tínhamos “esconderijos” onde escondíamos nossos “tesouros” (geralmente brinquedos, desenhos etc). Chamávamos esses lugares de base (base1, base 2 até 5). Entravamos no mato. Pisávamos em formigueiro e bebíamos agua da torneira das casas.

Uma vez descobrimos um buraco em que havia se formado um lamaçal. Entramos até a cintura e ficamos lá andando na lama por horas... Voltamos cobertos de lama ate o ultimo fio de cabelo para horror de nossas mães.
Tempos depois, na parte de cima da rua, mudaram-se uns meninos mais velhos que logo se tornaram “rivais” pelo domínio da rua. Volta e meia a gente se provocava. O que acabou culminando na “guerra das pedradas” em que o pobre Rodolfo levou a pior e abriu o supercílio.
Depois disso as turmas se juntaram havia os irmãos Daniel e Marco, André, Bilú e o Amaury (que eram mais velhos).

Haviam os bailinhos que aconteciam assim: todo mundo conversava mas nunca se misturavam meninos e meninas.
Quando começava a tocar musica lenta. Era automático: os meninos iam para um lado e meninas pro outro. Os meninos suavam frio, ninguém queria ser o primeiro a pedir para dançar. Quando alguém tomava finalmente coragem já tinha rolado umas duas musicas... Depois do primeiro vc tinha que ser rápido para que ninguem pedisse a menina que vc estava de olho...

Eu pessoalmente gostava das mais altas para tirar uma casquinha com a orelha. Hehehe.
Resumindo uma infância feliz!
(vejam as aberturas do Globo&Cor e do Globinho aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QrykvzjgzxE )
O importante é curtir.

PS: (Hoje Júlio e Rodolfo casaram e fazem carreira em multinacionais, Fernando, trabalha com turismo, Daniela em fisioterapia e casou, Daniel e Marco administram os imóveis da familia, Bilu trabalha com venda de automóveis, e Amaury é um fotografo de sucesso.)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Amar-se


Tenho um conceito de amor que nem sempre as pessoas entendem.


Amo as pessoas que entram na minha vida, sejam elas amigas(os), amantes, namoradas, e me aceitam como sou, da mesma maneira que consigo aceitar.


Qualquer, mesmo pequeno sacrificio que se faça por alguem é um ato de amor.


Amar alguem é coloca-la a frente de seu desconforto, simplesmente pq vc acha que ela merece


Para amar assim precisa-se acima de tudo SE AMAR, para se pôr em segundo lugar.


Amar a si próprio não é se colocar em primeiro lugar (isso é egocentrismo, é o que a criança é, pois somente a ela que o mundo tem de servir). Amar a si proprio é ocupar com maestria seu lugar no mundo, é ter respeito por si proprio por fazer aquilo que acha certo. Amar-se é fazer sacrifícios. Abrir concessões.

Quem deixa de prestar atenção ao próximo, quem magoa sob a desculpa de que SE AMA, é alguém que quer acreditar que isso é verdade, e quer mostrar para os outros que se basta.

Vendem, em troca do centralismo e do disfarce da insegurança a oportunidade de se mostrarem humanos completos. Mas não existem humanos completos. Todo aquele que é posto em claustro solitário enlouquece e morre. Pois para se amar é preciso ter orgulho de si mesmo e para se orgulhar de si mesmo é preciso ser autruista e ou competente, coisas que dependem de um segundo sujeito.

Ao prender-se no espelho d´água, narciso, sob jugo do amor proprio, morreu porque se colocou em primeiro lugar.

Bom dia!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return.


Existe uma ilusão de que amor é algo que se constrói com o tempo.
Não! Amor é a base sobre a qual se constrói qualquer relação.
Existe um preciosismo em cima da palavra amor que acaba deturpando seu próprio significado.
Amar é (ou deveria ser) o primeiro sentimento com o qual travamos contato. O amor de mãe se manifesta no o aconchego do útero. È assim que o amor é: nos remete à segurança e nos deixa auto-confiantes.

O amor tem a temperatura certa. E nos protege dos males, mesmo que tenha que dizer não.
O mais importante: o amor não mente.
Ele diz a verdade, doa o que doer, e verdades inteiras, nada se esconde por pena, o amor não poupa quem ama pois sera perdoado pela pior verdade.Mas nunca SE perdoará por mentir.
O amor é confiança e ainda compreensão, quem não sabe ser amado não sabe amar. Cria um personagem amável esconde os defeitos.
É a pessoa que esconde um sua personalidade, seus vícios e seus defeitos té mesmo de seus pais que são as pessoas que mais deveriam amar.
Essa pessoa não teve amor, ou nunca entendeu o que é amor.

A mágoa do dia que se descobre que se foi enganado por tanto tempo é muito maior. Se faz isso com os próprios pais o que essa pessoa fará com as pesssoas que a amarem durante a vida?
Quem sabe ser amado não tem medo de decepcionar. Pois sabe que será perdoado.
Mas de todos os inimigos do amor orgulho é o pior. Escondido sob um falso “amor próprio” o orgulho só magoa e destrói. Ignorância daquele que confunde orgulho com amar a si mesmo, o orgulhoso quer só que sua verdade e seus interesses prevaleçam.
Não querem que a imagem falsa sobre a qual baseiam suas vidas seja desvendada. Não assumem seus atos por vergonha. Vivem por prosperidade e não por felicidade. São preconceituosos pois somente a si que sentem e se põe acima de qualquer um.
Alguns são tão apegados a esse amor próprio que se negam a ter filhos, pois são incapazes de dividir seu mundo. São estéreis, secos por dentro.
Há também as pessoas que só querem ser amadas, sem amar. Assentam-se num comodismo, pois previne o sofrimento, mas é triste pois a cada vez que se nega o amor por medo de sofrer nega se também o indescritível prazer de amar. Tudo fica rotineiro, "mais ou menos". Mecânico.
Tenho pena dessas pessoas, pois a vida delas é cinza. Pois é a aquarela do amor é o que pinta um sorriso no nosso rosto principalmente de manhã, a hora mais feliz do dia, pois quem é amado acorda do seu sonho para uma realidade ainda melhor.
.

Boa Tarde!

sábado, 4 de setembro de 2010

Sem ti, tudo correrá sem ti....


Acredito sinceramente no fim da humanidade. Não necessariamente em cataclismos, grandes destruições, tragédias apocalípticas e aquecimentos globais.
O fim que eu temo já está em andamento e se refere a destruição da humanidade que cada um tem dentro de sí.

As pessoas não se entendem mais, pensam somente em sí ou num círculo pequeno de pessoas que estão a sua volta e servem aos seus interesses. A "involução" atual nos carrega ao mesmo patamar das cortes francesas onde a frivolidade, falta de caráter e total incapacidade de viver sem os luxos que acabaram por quebrar o estado.
]
Entendam que não falo de política, não são planos sociais, mas o "eumismo" o egocentro localizado no umbigo de cada elemento de uma coisa que a gente nem pode mais chamar de sociedade.

Uma supervalorização da vida que a deixou maior que qualquer valor, e acredite a vida não é o maior valor. Fernando Pessoa (como Alvaro de Campos) sabia muito bem disso quando escreveu:

"Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar..."

Antigamente se morria pelo que se acreditava, hoje vive-se sem acreditar em nada. "Sombras fúteis" sim é isso que somos.

Nos julgamos tão importantes que esquecemos que há pouco sequer existíamos e o mundo passava "muito bem obrigado".

A diferença que podemos fazer está nas marcas que deixamos no mundo, nossa continuidade. Nunca deixaremos uma marca numa repartição publica onde trabalhamos no dia a dia, a marca esta no trabalho realizado e não na pessoa que o realiza. Cabe a nos a vontade de que nosso nome seja lembrado.

A marca esta na sua obra e naquilo que deixar nesse mundo e acredite muitas vezes nem saberão que foi você, quantos sabem o nome de seus bisavós, ou os pais deles? E quantas vezes agradecemos ou simplesmente atribuímos à eles o fato de estarmos vivos? talvez essa seja uma boa hora.

"Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.

E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?"

E são!

Boa Tarde!

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Poesia completa
(Se te queres matar, Fernando Pessoa)

Se te queres matar

Fernando PessoaSe te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo polícromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

Álvaro de Campos


terça-feira, 6 de julho de 2010

Minha Fome

Era antes assim:
Quando era uma vez amargo tempo
Amargo na boca (oca)
Azia, Vazia...

E o doce: 
sempre depois.
-Sobremesa
de um banquete
que nunca foi servido

Quero encher o estômago
Quebrar a etiqueta
esses dias já são salgados
frios e putrefatos, mas nada,
Nada estraga meu apetite.

Minha vontade é devorar!

Rasgar o menu
amargo de saudade.
Fazer dieta só de prato principal
sorver o doce da sua boca
temperado com suor.

E só assim acabar com
essa coisa que me mata
essa fome ingrata
que eu tenho de você.

Princesas


Eu acredito em princesas.
Não que eu seja louco,
apenas acredito em princesas.
Num mundo desordenado,
sei que em algum lugar elas estão
Distantes,delicadas e destemidas.
Insurgindo nas batalhas dos seus corações
contra a tirania dos cavaleiros negros,
Rasgando seus vestidos pelo amor de um plebeu.
Provando a amargura do fel,
matando sua sede com as lágrimas,
vertidas entre os seios,
do fundo do peito...
Princesas lotadas de coragem.
Sonhadoras e presentes,
capazes de empunhar uma espada,
E com suas mãos delicadas
romper os grilhões atados aos seus pés.
Enfrentar dragões...
Talvez eu seja um sonhador
num mundo de encanto,
mas mesmo no mundo real
meu coração pertence a elas.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ídolo


Estou relendo um livro do Rubem Alves, um livro antigo chamado “Navegando”.

Não é de hoje que gosto muito do Rubem Alves, e o conheço desde a infância por ele ser amigo de minha mãe e freqüentar a minha casa.

Na verdade aquele senhorzinho calvo com uma coroa de cabelos brancos, semblante sereno e um respeitável narigão que freqüenta minha casa é para mim uma pessoa completamente diferente do Rubem Alves que vejo nos livros.

Não que seja pior, obviamente ambos são a mesma pessoa, mas, confesso que as vezes chega a me incomodar a personificação da mágica contida naqueles textos que, me inspiraram e me ensinaram uma forma nova de ver a vida.

Ler os textos do Rubem é uma janela que se abre e ensina como ver a vida de uma forma totalmente diferente, ensina que a vida não é feia, depende muito do lado que se olha.

Isso me faz pensar nessa relação quase conflituosa entre o homem e a sua obra.

É estranho quando a gente conhece a pessoa atrás do ídolo, e descobre que é só uma pessoa.

Muitas pessoas idolatram e amam a pessoa por que misturam a obra com o autor. Acho isso triste, pois muitas vezes o ser humano por trás da obra fica imerso em uma nuvem formada por fragmentos de sua própria obra.

Conheci já algumas pessoas ditas famosas, sou filho de artista, e sempre me envolvi de uma forma ou de outra com o encanto dos filhos das artes.

Uma das coisas que digo é que toda vez que me aproximei de uma maneira ou de outra vi a tal nuvem se dissipar mostrando alguém muitas vezes surpreendente e algumas vezes decepcionante.

Mas a grande verdade é que a obra tem realmente o encanto, como não misturar as letras maravilhosamente hipnóticas de Chico Buarque com aqueles encantadores olhos azuis. Como não misturar a genialidade dos personagens de Fernanda Montenegro, àquela senhorinha delicada.

Mas é preciso lembrar que o humano não é a obra é o ser. E ao contrario do finito da existência do ser, devemos sim admirar a eternidade da obra.

Por isso sei que o Rubem da minha casa tem todos os defeitos e qualidades que qualquer pessoa pode ter. Mas sua obra me toca e tudo que nos toca deve ser lembrado.


Boa Noite

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Bunda da Humanidade


Certas características nos separam dos demais animais ditos inferiores:  polegar opositor e um telencéfalo altamente desenvolvido (como diria Jorge Furtado).

Mas o importante é que nenhuma dessas características é, isoladamente humana.
O polegar opositor é, por exemplo, característica de todos os primatas e até de alguns outros mamíferos como o guaxinim.

Já o telencéfalo, até mais desenvolvido que o humano, pode ser encontrado em cetáceos como o golfinho.
Logo o que nos faz humanos?
Qual a característica única e exclusivamente nossa, que não pode ser achada em nenhum outro animal?
Essa dúvida me incomodou durante anos, e imerso em minhas observações fui, num dia de sol numa praia do Guarujá, iluminado por uma revelação: lá estava, na minha frente, óbvia e descoberta, rebolante e desejada:
-A BUNDA!

Na conformação humana, de duas almofadinhas gordurosas, nenhum outro animal possui tal estrutura. É exclusiva!
E com certeza, a única coisa observável que define de forma incontestável de que tal criatura é um Homo Sapiens.
Imagine extraterrestres na árdua missão de classificar as formas de vida em nosso planeta. O quão intrigados ficariam ao se deparar com aqueles montinhos na base da coluna. Isso explicaria em grande parte as abduções.

Quantas horas, não devem ter passado os alienígenas a estudar um humano de bruços, observando aquelas estruturas. Hoje acredito que ouviríamos nos laboratórios dos discos-voadores:
- Que tipo de primata é esse que nós capturamos?
–Humm, vire ele de costas. (...) Ok, ok: definitivamente é um ser humano.
Mas mesmo assim, a Bunda sempre foi relegada ao segundo plano nas aulas de anatomia, temos especialistas médicos para cada órgão do nosso corpo mas nunca se ouviu falar em nadegologista.

Mantida nos porões pervertidos da sexualidade humana, a bunda sempre foi uma marginal.
Observada libidinosamente, discreta ou indiscretamente, sempre despertou desejo de uma maneira quase incompreensível, dada a sua localização e função.
Talvez a grande importância dessa estrutura anatômica desprezada pelos acadêmicos e amada pelo povo, esteja no fato de que a nossas nádegas sejam, no final das contas, a nossa verdadeira identidade.

Muito, mas muito mais que um telencéfalo ou um polegar.
Boa Tarde

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Verdade sobre Aurora


Escondido nos recônditos das marchas carnavalescas, um mistério:
Aurora; uma mulher comum, que desejava ser amada e feliz, foi imortalizada sob o jugo da insinceridade.

Difundida aos quatros cantos do nosso país, a marchinha acusa indubitavelmente essa mulher de não ser sincera.
Mas nunca ficou claro o em que se baseia tal acusação.

Agora o mistério chega ao fim:
Depois de anos de investigação, pesquisando arquivos e entrevistando testemunhas , consegui finalmente descobrir o motivo que levou a essa mulher carregar até hoje o estigma que a deixou na miséria.
A historia de uma mulher cuja paixão fez com que abrisse mão da única chance de sua vida de ter um lindo apartamento com porteiro e elevador, ar refrigerado para os dias de calor sem contar com a alcunha de madame antes do nome.

Eis: 
A VERDADEIRA HISTÓRIA DE AURORA (por Dú Badaró)

Aurora era uma mulher simples, nascida no Rio de Janeiro, em Santa Cruz na zona oeste. Foi criada numa família pobre mas honrada.
O esmero em sua criação refletia o desejo de seus pais de que, através de um bom casamento, pudesse sua filha ter um futuro mais digno e próspero. 

Aurora foi educada com sacrifício, na arte do corte e costura, também cozinhava muito bem e cantava no coral da pequena igreja de seu bairro.
Engana-se porém quem achava que seus dotes se limitavam aos talentos domésticos. Pois era também, Aurora, uma formosa rapariga.

Certa feita conheceu Mário Lago, advogado, homem de letras que era também compositor e ator nas horas vagas.
Mário, quase à primeira vista, encantou-se com Aurora e, como mandavam as boas maneiras da época, pediu aos pais da pretendida que autorizassem o namoro.

Os pais, apos minucioso escrutinio da vida do pretendente, permitiram a relação, e, assim o namoro seguiu dentro dos conformes. No sofá da sala, no máximo de mãos dadas.

O grande problema é que Aurora não amava Mário. 
O aceitara por respeito à seus pais, uma vez que o jovem advogado representava tudo aquilo eles desejavam. Um homem de família, que morava num belo apartamento no Leblon.

Para desespero da pobre moçoila, meses antes conhecera um jovem rapaz aventureiro: Alaor, mais conhecido como Alaô, que sonhava em atravessar o deserto do Saara. Alaô era um bonito moço sempre com o rosto bronzeado, pois se recusava a passar protetor solar na cara.

Aurora se apaixonara perdidamente por Alaô e numa noite de luar cedendo a paixão que a arrebatava, finalmente se entregou ao amado. Mas, para seu desespero, seus pais descobriram o romance proibido e, sem saber que Aurora não era mais casta, proibiram terminantemente o namoro dos jovens apaixonados.

Quando surgiu Mário, encantado por Aurora, foi um grande alívio para a família e forçada por seus progenitores, ela, muito à contragosto, aceitou o namoro.

O que ninguém sabia é que ela ainda encontrava-se secretamente com Alaô. E e secretamente, numa noite sem lua, fugiram os dois para nunca mais voltar.
Dizem que fugiram para o Egito e se converteram ao Islã e que rezam muito para Allah. 

Foram vistos por Haroldo Lobo (que estava em excursão pela África) atravessando o deserto do Saara, sob o sol quente, ambos
somente com o rosto queimado (provavelmente pelo habito de não usar protetor solar na cara).

Mário, surpreendido e decepcionado em sua dor compôs então a famosa marchinha. E em seu sofrimento conheceu a irmã de Aurora: Amélia, que aceitou casar-se com Mário mesmo sabendo que ele ainda amava a outra irmã. Afinal, ela não tinha a menor vaidade.
Boa Tarde.

Bibliografia:
Aurora (Mário Lago e Roberto Roberti)
se você e fosse sincera / Ô ô ô ô, Aurora
Veja só que bom que era / Ô ô ô ô , Aurora
Um lindo apartamento / Com porteiro e elevador
E ar refrigerado / Para os dias de calor/ Madame
Antes do nome / Você teria agora/ Ôôôô Aurora
Allah-la-ô Composição: Haroldo Lobo e Nássara

Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O Sol estava quente, queimou a nossa cara
Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô...
Viemos do Egito
E muitas vezes nós tivemos que rezar
Allah, Allah, Allah, meu bom Allah
Mande água pro iôiô
Allah, meu bom Allah,
(Agradecimentos: Alexandre Saad Kyk, Andréa Obata, Rodrigo Iervolino. Pela viagem coletiva que deu origem a esta crônica)


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